Design e Brasilidade – parte I – apresentando o problema

postado por Eduardo Camillo

Depois de um longo período sem postar, volto aqui com alguma vergonha, mas ao mesmo tempo feliz com uma possibilidade que o Rafael Gatti me abriu (embora eu não tenha falado com ele): expor aqui o passo a passo da pesquisa que estou realizando no momento. Estou quase terminando minha graduação, e esse é o momento onde estou no ápice desse processo, o Trabalho de Conclusão de Curso. Digo que o Gatti abriu isso pois é como ele está tratando o TCC dele, apresentando-o em uma série de postagens sobre o Design de Serviços. Assim, até para me ajudar a escrever minha monografia final, e me policiar com as diversas etapas de estudo que devo desenvolver, vou fazer a mesma coisa, afinal, bons exemplos devem ser copiados (tô te plagiando, Gatti).

Meu trabalho de conclusão nasceu de um evento recente, e que foi abordado já nesse blog: a apresentação da marca gráfica das Olimpíadas Rio 2016 (temos esse post e esse post). Quando me aproximei desse tema por esses lados, avaliei apenas a idéia do plágio, mas há uma outra parte dele que também me instigou demais que é a atribuição de características brasileiras a esse símbolo visual. Quer eu goste ou não, vi muitas das pessoas que eu conheço comentando positivamente sobre tal marca gráfica, e me arrisco a dizer que a grande maioria da população gostou muito dela (tem muita gente que não viu ainda, e encontrei amigos meus da graduação que também não tinham visto… Ainda assim, continuo a sustentar a idéia de que ela agrada a maioria das pessoas). Seria isso um indício de tal brasilidade nessa marca gráfica? Será que elementos de brasilidade são o carisma desse logo e o que tanto atraem (quase) todas as pessoas de todas as classes?

Me instigou mais ainda quando numa discussão por email foi apresentada a idéia de que é característico do nosso design o uso de degradês, curvas e cores, e que isso seria tal brasilidade. Isso me deixou, para ser curto e grosso, com uma enorme e faminta pulga atrás da orelha: será que é assim mesmo!?

Numa primeira aproximação, ainda em janeiro desse ano, pesquisei outras manifestações dessas características em identidades gráficas nacionais, em especial de eventos (nacionais e internacionais). Pude verificar ainda de maneira prematura e acrítica que há uma repetição de fato dessas características em diversas delas. Nem sempre todas, mas ao menos duas sempre estavam por lá. Não sei se é a hora de apresentar essa minha pesquisa imagética, mas apenas como uma pista, nosso leitor pode dar uma olhadinha nas marcas Rio 2016, Copa 2014 (que aperto no coração me deu agora de lembrar dela…), a Marca Brasil do Kiko Farkas, as marcas dos governos Lula e a atual da Dilma, entre outras.

Pois bem. É aqui que começa tudo: isso virou meu TCC, e vou apresentar aqui, ao longo do tempo, as diversas etapas de estudo e vou apresentar aqui, ao longo do tempo, as diversas etapas de estudo, para depois, ao final do processo, eu ver como foi esse caminho. Vou também postar minhas impressões ao longo dessas etapas, o que eu já intuo sobre o tema, o que me parece acertado ou falso, e tudo que me vier na telha.

E já deixando a primeira impressão: sou extremamente cético a tudo isso. Sou cético à existência de uma brasilidade no design gráfico. Acho que é tudo blablabla publicitário que entrou bem na nossa cabeça, e que essa identidade é lorota.

MAS, isso é minha impressão inicial, e não vou direcionar meus estudos para justificá-la… Acho que não é honesto. Assim, vamos esperar o próximo capítulo, sim?