Furadeira Ballesta – Prêmio IF Concept Award 2009
postado por Eduardo Camillo
O projeto dos estudantes Daniel Scarpim, Fernando Pretti e Rafael Yuri Aoki do curso de Design do campus ABC da UNIBAN foi premiado no IF Concept Award 2009. Fiquei bastante bem impressionado com o projeto, e resolvi colocar aqui no Simples, fazendo a crítica dele.
O mais interessante do projeto é a mudança de paradigma do uso. Ao invés de pressioná-la contra a parede e perder precisão por causa do esforço para penetrar, permanece-se parado, perpendicular à parede pela área plana frontal da furadeira, e com o botão de acionamento, um mecanismo interno projeta a broca até o lugar do furo.
Como não encontrei nenhuma descrição do uso da mesma, foi escrever o que penso ser o modo de uso dele. Para fixar a profundidade do furo, há uma marcação lateral com um dipositivo deslizante que regula, inclusive visualmente, qual é a distância que a boca irá mover-se. Aparentemente é a marcação vermelha que apresenta o quanto que a broca vai entrar.
Na parte posterior da ferramenta, encontramos um conjunto de leds que indica o nível de bateria. No texto que se encontra na imagem do final desse post, o professor orientador do projeto, Rubens Pisetti, aponta que a furadeira usa de baterias especiais que só podem ser trocadas pela assistência técnica, para que esta dê o encaminhamento correto do pós-uso, portanto só podem ser baterias recarregáveis na tomada.
Frontalmente, vemos que há um coletor de resíduos que fica logo abaixo do lugar onde a broca se encontra. Assim, logo que cai a poeira, ela já é recolhida. Inclusive, para facilitar essa entrada da poeira, há uma pequena inclinação do plástico.
Fico em dúvida quanto ao lugar onde está o dispositivo de mudança de tipo de furo, se rotação simples (para superfícies mais “moles”), ou se rotação martelada (para superfícies mais duras, como concreto). Pela 6ª imagem ao lado, percebe-se que é acionado na parte superior, só que da parte que abriga a broca, e não no corpo fíxo da furadeira. Assim, para mudar o tipo de rotação, é preciso que a broca esteja toda para fora. Não sei se isso é uma necessidade mecânica, mas caso não seja, talvez fosse melhor localizá-lo em um lugar de mais fácil acesso. Mas, por outro lado, é um dispositivo de pouco acionamento. E da mesma maneira, quando for necessário furar uma parede de concreto, além de ter que acionar esse mecanismo, será também obrigatório efetuar a mudança da broca, que é diferente entre madeira, tijolo e concreto.
A parte estética da furadeira é muito bem acabada a meu ver! Esse plástico azul que funciona como protetor e como visor dialoga com o restante no que diz respeito à cor, mas funcionalmente penso que transparente seja melhor, já que o azul acaba criando um filtro de luz, e, assim, se a marcação do buraco tenha sido feita em caneta azul, não será possível de visualizar pelo acrílico. No restante, não existem grandes desproporcionalidades, e a limpeza formal acaba criando uma semântica muito interessante por ser uma furadeira caseira: não se dedica apenas a homens. A linguagem usual das furadeiras por aí normalmente é muito agressiva, com cores fortes e marcações formais muito acentuadas, diferente desta, que se apoia na suavização das linhas para universalizar seu uso.
Enfim, vejo como um projeto extremamente bem executado! E que mecere o prêmio que recebeu.
Mais informações no blog do Fernando Pretti.
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Eduardo Camillo é graduando no curso de Design da FAU USP, sócio fundador da Mínimo Design, e idealizador do Design em Artigos.







Muito legal mesmo
Boa referência Edu!
Também fiquei impressionado com o projeto e concordo com tudo o que vc disse – nem saberia fazer uma crítica melhor.
Repensar o modo de uso de uma ferramenta já existente é algo muito positivo e ao mesmo tempo difícil de se conseguir.
Neste caso de fato essa mudança foi capaz de trazer mais segurança e precisão para uma máquina tão “agressiva”. Acho que o que vc destacou sobre a forma vem justamente confirmar e transparecer essas qualidades, o que é ótimo! (traduzindo: ela passa algo que é, não engana o comprador que acha algo pela forma e não encontra na hora do uso).
A marcação de profundidade na lateral é sensacional. Nas furadeiras comuns não é fácil saber o quanto a broca já entrou na parede, já que ela fica girando.
Agora, para acabar, vou dizer algo bem pessoal: confesso que fiquei um pouco triste por lembrar que meu semestre sobre máquinas na FAU foi um desastre (na verdade foi para a minha turma toda). Deu aquela sensação de ter boa parte da culpa.
Mas enfim… é vendo projetos bons assim que a gente encontra forças para repensar as coisas e melhorar a cada projeto.
Abraço para todos,
Colebrusco
Concordo com seu ponto, Colebrusco! Esse negócio de “passar o que é, não engana o comprador (…)” é bastante forte nessa furadeira, por mais um ponto que eu incluiria no post: ela, diferente das demais furadeiras, não é extremamente robusta e, assim, se mostra como furadeira doméstica mesmo, que não pretende furar uma parede de cofre, mas apenas alvenaria e madeira para pendurar quadros e montar móveis… Ela se apresenta como mais frágil, e acho isso muito justo!
“se mostra como furadeira doméstica mesmo”
é mesmo, ela perdeu um tanto da cara de ferramenta pra ganhar uma cara de eletrodoméstico.
O design de estudantes do sul tem se destacado em várias premiações de design, acho que vale dar uma espiada no ensino deles!
hugo, boa ideia!
muito boa.
isso é motivo para um evento, não uma espiada.