
O mercado de 140 milhões de pessoas
postado por Diego Silverio
Talvez este seja um dos número mais representativos para a economia brasileira nos últimos 10 anos. 140 milhões é aproximadamente o número de pessoas que fazem parte hoje da classe C e D juntas. Se considerarmos outros países, como por exemplo a China, esse mercado consumidor talvez nem faça tanto sentido (o que é 140 milhões para quem tem mais de 1 bilhão de pessoas?). Porém, ao delimitarmos somente o Brasil, esse número representa 74,07 % do total da população brasileira até 2009. Hoje, começo de 2012, esse número pode ser maior.
Esse número de pessoas se tornou algo extraordinário para a economia brasileira. Se considerarmos o crescimento dessas classes, principalmente a classe C, esse número é ainda mais surpreendente. De 2003 a 2009, a classe C cresceu estrondosos 34,32%, passando de 65,87 milhões (2003) para 94,93 milhões de pessoas (2009). Esse estudo produzido pela FGV considera os dados de 2009 divulgados pelo IBGE por serem mais completos.
Afinal, o que esses números significam para nós, designers?
No primeiro momento, estes números podem não significar muita coisa, porém significa muito! Pode-se concluir que mais pessoas se tornaram consumidoras ativas, com dinheiro na mão ou acesso mais fácil ao crédito. Hoje, são pessoas que estão consumindo mais e, de certa forma, melhor. Significa também que o Brasil possui hoje um mercado consumidor em franco crescimento, capaz de auxiliar na blindagem que diminui o impacto das crises externas. Com certeza, muitas empresas de fora estão de olho nesse mercado consumidor.
Esses novos consumidores possuem características próprias, muito diferentes das outras classes. São características culturais, necessidades, desejos e demandas tão únicas que fica difícil de definir uma “cara” para esta enorme classe. Considerando as variações de renda (por ex. classe C: R$ 1126,00 a R$ 4854,00) e as diferenças regionais, torna árdua (senão hercúlea!) a tarefa de projetar produtos ou serviços direcionados. Muitos poderiam dizer que basta copiar as classes mais abastadas para que se tenha sucesso… porém, se fosse assim os meios de comunicação não criariam uma programação específica para eles!
A dúvida que surge é se nós, designers, conhecemos esse público (estética, hábitos, desejos…). Muitos já viram grandes oportunidades de negócios focados nas classes C e D. Porém, se não conhecemos, o que estamos fazendo a respeito?
Fonte: FGV – A Nova Classe Média: O Lado Brilhante dos Pobres
Só acho meio triste que o designer no Brasil tenha o mesmo papel de um marketeiro ou publicitário. Publico, Mercado, Consumo, Vendas, Milhões e milhöes..
Cade o verdadeiro designer botando o pé no freio e dizendo: calma lá, esse povo todo não “precisa” de produto novo. Esse povo tem necessidade real de qualidade de vida, de educacao e dignidade. Posso estar errado, mas me baseio no Vitor Papanek e faz sentido pra mim. Enfim, vale a pena pensar um pouco, sonhar um pouco. Abs.
Oi Diego, beleuza?!
Gostei das suas reflexões. Eu adentei várias vezes esse terreno sobre o design e o consumo, e muito me interesso pelo assunto. Acho que suas “cutucações” são adequadas pro momento…E acho bom trazermos as discussões sobre design e cultura à tona, ligando design+política+ética+cultura..etc e tal. Acho que por trás disso tem muito mais coisa do que simplesmente o sabor ou gosto da classe C ou D por isso ou aquilo. Dá pra desfiar vários papos. Já começando com essa divisão de classes, a crise mundial, a globalização etc e tals…topa?! um abração!
Ser designer é ser classe C!
concordo com você Lucas! acredito que existam vários designers que se preocupam com essa função destorcida da profissão… que buscam trazer novamente ao dia-a-dia do designer os valores sociais que estão esquecidos =)
Anna Lucia, a idéia de entrar nesse terreno do design social.. de entender a classe C, é justamente para poder identificar as reais necessidades que o Lucas falou e não simplesmente o sabor ou gosto, como você bem colocou! Acredito que sabemos muito pouco sobre essa fatia da população brasileira que ganhou tanto destaque nos últimos anos.. ou seja, tem um vasto campo para ser trabalhado! Topo discutir mais sim =) Abraços!
Os designers Brasileiros estão sendo formados para serem panfleteiros de regimes ditatoriais de esquerda, vide que mais de 90% do corpo educacional das instituições de ensino superior são dominadas por esquerdistas.
O Design foi criado para o capitalismo (econômia de mercado) e infelizmente no Brasil isso nunca existiu o que faz essa profissão ser tão desvalorizada a níveis salariais comparadas a de garis. http://designegravata.wordpress.com/2011/08/27/a-palavra-que-assusta-lucro/
Olá Gravata!
Foi muito bom você ter tocado nesse assunto! Espero que meu texto não tenha passado uma impressão partidária, pois a abordagem que eu quero expôr é independente de ser esquerda ou não.
Alias, eu vejo essa falta de conhecimento diante da população como uma real oportunidade para gerar vários negócios (consequentemente, lucro)! Uma conclusão voltada para o mercado e que podemos tirar dos comentários da Anna Lucia e do Lucas é que essa “nova” classe C possui muitas necessidades (muitas delas básicas) que ainda não foram supridas pelo mercado, justamente pela falta de conhecimento do público que antes não eram vistos como consumidores ativos (e com dinheiro!). São questões sociais e culturais que foram deixadas de lado e hoje são fatores de decisão dentro do mercado de consumo.
Acredito que, se conhecêssemos melhor os usuários e consumidores, não forçaríamos a venda de produtos “inúteis” (ou melhor, inadequados) e, quem sabe, teriamos serviços e produtos adequados e de sucesso.
Basicamente, conhecer de fato o público-alvo.
Concordo com o Leonardo em relação ao que o Gravata pontuou. Se for para eu adicionar algo, eu não vejo, sinceramente, designers tornando-se panfletários de partidos de “esquerda” (já manifestei noutros momentos meu completo desapreço por esse rótulo reducionista), a menos que isso seja no sentido de uma possível tomada de posição quanto ao real valor que a profissão numa extensão efetivamente social, e não mais de valorização do poder de uns.
Entrei no seu link, e me deparei com a sua definição de lucro para os marxistas, e, confesso, não acho que eles acreditem (nem mesmo Marx) que isso era assim.
Vou colar aqui apenas para ficar claro do que falo:
“Na escola tradicional marxista escravista, o lucro é ensinado como algo ruim. As pessoas não podem querer lucrar de forma alguma pois isso é contra os principios da honestidade entre as pessoas. Para os marxistas quando se obtêm lucro, se obtêm vantagem, e como alguem pode querer ter vantagem sobre outrem em um ambiente em que os escravos são todos iguais e a igualdade social impera?”
E depois:
“Em qualquer aspecto o lucro é bom”.
Vai falar então isso pra pessoa sendo ameaçada de morte pelo agiota! Nada é tão maniqueista assim. Se o lucro tem seu aspecto positivo, que é uma recompensa por determinado serviço, quando o lucro se torna o fim, não o serviço, vejo com olhos desconfiados…
Enfim, voltando ao design, o design pode até ter sido criado num ambiente capitalista, agora, se para o capitalismo, não creio que seja exatamente essa intenção. Depende do ponto de vista, sim, mas utilizando-o como maneira de socialização de determinada estética e ideologia, me desculpe, mas eminentemente “esquerdista”. Tipo os brothers da Bauhaus, e, andando um pouco para trás, Peter Behrens, todos influenciados por ideias do (chato do) Muthesius e do (chato do) Morris.
Como deve saber, a estética bauhausiana foi apropriada para vender o “bom gosto europeu” aos americanos endinheirados. Ou seja: manipulação pelo lucro.
Hoje temos inúmeros casos de plágio de empresas grandes e concorrentes,como a Samsung com a Apple. Manipulação? Certamente, pois vende-se pelo puro feitiche, ainda de outra marca que não a própria. Lucro está vindo a rodo, mas a que custo social?
E isso não vejo como lero-lero marxista não, senão como uma tomada de consciência de que, sim, o design existe num contexto capitalista (melhor seria dizer num contexto industrial, pois o design, apesar de sua origem de nascença, poderia sim acontecer num contexto não capitalista), mas o lucro não é sua finalidade a meu ver, senão o sucesso do usuário.
Recomendo o texto do Joaquim Redig no livro “O papel social do design gráfico”. Compartilho plenamente da visão dele.