Políticas de design

postado por Diego Silverio

Li recentemente  um artigo no jornal The Guardian (UK), republicado pelo site DesignBrasil,  sobre a inclusão do design no desenvolvimento e na reformulação de políticas públicas. Este artigo, redigido por Justin Mcguirk, retrata o cenário da inclusão e aplicação do Design dentro do setor público demonstrando as ações do governo finlandês e comparando-as com Londres. Destacaremos aqui a atuação do fundo finlandês de inovação Sitra. O objetivo deste órgão, fundado em 1967, é abordar questões sócio-econômicas mais cruciais da sociedade finlandesa e propor soluções factíveis. Uma das ações citadas pelo autor foi a atuação da instituição na educação pública, onde buscou-se entender as dificuldades existentes em um sistema educacional que está entre os melhores do mundo.

Este artigo vai de encontro a uma das questões levantadas na entrevista realizada com Gui Bonsiepe, com relação a atuação do designer no setor público brasileiro. Segundo ele, “Uma política industrial e uma política de desenvolvimento que não usam o design industrial como ferramenta são políticas amputadas”. Mas, afinal, o que são políticas de design?

Infelizmente, ainda não encontrei uma definição (se alguém souber, entre em contato comigo), porém selecionei para vocês algumas ações que visam difundir o design dentro dos setores, sejam estes públicos ou privados. Os designers já possuem, no âmbito nacional e internacional, casos onde as atuações do design em políticas públicas de desenvolvimento auxiliaram na competitividade do setor industrial.

No âmbito nacional, podemos citar aqui o bem sucedido Centro de Design do Paraná. Fundado em 1999, busca “contribuir para o desenvolvimento sustentável e para a excelência da indústria brasileira” através do Design. A Bienal Brasileira de Design 2010, o Design Excellence Brazil e o Planejamento Estratégico do Programa Brasileiro de Design (PBD) são exemplos de ações bem sucedidas e que visam difundir o design no setor industrial. Outro ótimo exemplo nacional é o Centro de Design do Recife, que busca “Integrar o Design na política pública de cultura como um dos segmentos culturais relevantes para a cidade, enfatizando a difusão da produção de Design pernambucano no Recife e fora dele”.

No âmbito internacional podemos citar o Design Council no Reino Unido, o próprio Sitra, na Finlândia, o “London Underground’s Oyster card system” e o sistema de aluguel de bicicletas de Londres (estes que tiveram a contribuição decisiva de Justin). Temos também  como fonte de informação sobre o assunto deste artigo, o blog Políticas de Design do professor Gabriel Patrocínio.

A questão que evidencio no artigo de Mcguirk é que, apesar de termos casos de sucesso, a inserção do designer no setor público ainda é muito restrita. Mesmo considerando a Inglaterra um país que tenha a atuação do Design bem estabelecida e difundida, sua participação no setor público ainda está no campo das ideias. Não podemos esquecer que este tipo de ação envolve diversos fatores, sendo algo maior do que apenas a vontade do designer de expandir seu campo de trabalho. A visão sistêmica, holística e estratégica é algo relativamente novo na área de conhecimento do profissional e sua representatividade na esfera nacional precisa se fortalecer.Existem ainda outros fatores de méritos internos e externos, mas já vimos que é possível. Para isso, precisamos fazer o dever de casa.

Referências:

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Diego Silvério é designer formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), vencedor de prêmios nacionais e internacionais e já desenvolveu projetos para a Electrolux, Nokia e HSBC. Hoje é pesquisador no Núcleo de Design & Sustentabilidade e se aventura dentro das áreas de estratégia e economia.