Contornando as incertezas
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Conforme as idéias começam a tomar forma, surgem as dúvidas em relação aos caminhos que estão se concretizando. Daí a necessidade de colocá-los à prova. É neste momento também que os prazos começam a dar aquele frio na barriga.
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O grupo produtos locais está preparando sua volta ao Vale do Sol. Levarão consigo dez proposições de produtos. Pretendem fazer novas entrevistas e cobrir um maior número de casas. Divididos em dois, tentarão levantar pistas sobre o gosto estético do público local. Neste momento a equipe atinge seu maior nível de desgaste e parece beirar o esgotamento. Será que vão conseguir superar o cansaço e ter energia para mais um dia de pesquisa de campo?
Fábio, que coordena o time valor agregado, avança firme no desenvolvimento. Após a primeira atividade criativa, solicitou aos membros de sua equipe que elaborassem painéis associativos, baseados no que foi produzido naquele primeiro momento. Isso possibilitou que fossem definidos requisitos gerais e também alguns limites para onde se quer chegar. O prazo passa gerar insegurança na equipe. Todos consideram que o tempo é pouco e questionam o número de soluções que deverão apresentar. Infelizmente o prazo final é fixo, um bom projeto é aquele que consegue fazer o máximo, o melhor possível, dentro do tempo que foi disponibilizado.
Acho que falar um pouco dessa segunda visita que aconteceu é fundamental. Poder retornar à comunidade, levando algumas idéias iniciais, tem se mostrado fundamental no andamento dos projetos. Muito do que imaginávamos ser propostas positivas, projetos sacados, no fundo não tinham forte relação com a vida dos nossos usuários finais.
As vezes a gente se perde no que achamos ser bom, mas como sempre nos diz um professor, “design trata do outro, e não de nós mesmos”. Como em muitos outros projetos, tivemos que abrir mão de partidos que achávamos interessantes, porque eles não são o que nossos usuários realmente precisam. As vezes até bate um desanimo, por ver coisas em que nos empenhamos tanto serem descartadas… mas realmente acho que um bom projeto é aquele que cumpre tudo o que é preciso, da melhor maneira possível…
Após a geração das idéias, dentro da atividade proposta, decidimos fazer uma série de associações levando em conta todo material produzido.
Isso se mostrou fundamental para o sucesso da tarefa de criação e possibilitou uma ampliação no pensamento projetual.
Ana, eu concordo com o que você falou.
Mas você acha que um produto classe A, por exemplo, que não pertença ao universo do pessoal da cooperativa, terá sua produção de certa forma prejudicada por causa disso? Digo, será que, assim como nós abrimos mão do que achamos interessante, eles também abrirão, pra produzir algo que não é necessariamente o que eles precisam?
Eu particularmente acredito que sim, mas essa dúvida surgiu quando pensamos em fazer alguns módulos e descobrimos que essa opção não foi muito bem cotada pelo pessoal da comunidade.
Acho que não deveríamos nos preocupar, já que eles não são nossos consumidores alvo. Mas, como a cooperativa faz parte dessa comunidade, para que a produção dê certo eles também precisam estar dispostos a produzir aquilo que não faz parte do seu repertório, não é verdade?
Amanda, acredito que não precisam se preocupar com isso. O objetivo é agradar o usuário final, não o produtor. Acho até que a cooperativa não deve só estar disposta a produzir aquilo que não faz parte do seu repertório como estar disposta a aprender novas técnicas de produção, de mais detalhamento, que mesmo que sejam mais trabalhosas geram resultados substancialmete melhores.
Quanto a visita, infelizmente não temos condições de fazer um número suficiente de entrevistas para se ter uma boa amostragem do gosto local, mas esperamos que o que consiguimos captar seja suficiente para agradar toda a comunidade.
Concordo com o que a Amanda disse.
Além disso, talvez, essa seja uma boa oportunidade para que o pessoal da região e da própria cooperativa tenha um contato mais próximo com produtos de propostas diferentes daqueles que eles já estão acostumados.
Veja pelo lado bom! Pelo menos apresentaremos soluções que ampliam o repertório da comunidade local. Creio que isso já seja muito importante!
Na verdade, acho que não tem como sabermos isso ainda, Amanda. É bem o que o hugo comentou, não temos condições de fazer um grande número de entrevistas. E além disso, acredito que a maneira como uma peça (principalmente modular) é apresentada pode mudar a opiniao dos possíveis usuários.
Nós só tínhamos desenhos, mas ao vivo as coisas são um pouco diferentes. Nas entrevistas notamos que as pequenas ambientações que tínhamos feito apenas para dar a dimensão dos projetos as vezes influenciavam na resposta. Em vários casos ouvimos um “eu não teria, pq não preciso guardar pratos”, só porque no desenho havia uma pilha desses objetos. Então tenho minhas dúvidas da não-aceitação desse móvel. Mas optamos por não arriscar, e fazer algo que tenha mais possibilidades de trazer retorno. Projetos são escolhas, não é mesmo?